Qui. Fev 12th, 2026

A gigante tecnológica Xiaomi encontra-se num momento decisivo neste início de 2026, marcando a sua presença em duas frentes distintas mas igualmente competitivas: o asfalto virtual das consolas de última geração e os gráficos voláteis dos mercados financeiros. Se, por um lado, a marca celebra a entrada triunfal do seu hipercarro no mundo dos videojogos, por outro, enfrenta o desafio de reconquistar a confiança dos investidores num cenário económico exigente.

A conquista do asfalto digital

A espera para domar o carro mais rápido da história da marca chegou ao fim. Desde o dia 29 de janeiro, o impressionante Xiaomi SU7 Ultra está disponível para os entusiastas do automobilismo virtual através do Gran Turismo 7, tanto na PlayStation 4 como na PlayStation 5. Esta estreia, fruto da atualização 1.67, não é apenas mais um conteúdo descarregável; simboliza a entrada da fabricante chinesa na elite da simulação automóvel, uma colaboração estratégica com a Polyphony Digital que fora anunciada em meados do ano passado.

O nível de detalhe aplicado nesta recriação digital é notável. Para garantir que a experiência de condução fosse fidedigna, a equipa de dinâmica de veículos da Xiaomi deslocou-se propositadamente aos estúdios da produtora em Fukuoka, no Japão. O objetivo foi afinar a física do carro virtual para que este replicasse, com precisão milimétrica, as sensações do modelo real. O próprio Kazunori Yamauchi, criador da saga Gran Turismo, testou o veículo em Pequim e no circuito de Tsukuba, validando pessoalmente o comportamento da máquina.

Desempenho de elite e recordes

Os números que acompanham o SU7 Ultra são, no mínimo, avassaladores. Estamos a falar de um elétrico que debita 1548 cavalos de potência e 1770 Nm de binário, impulsionado por um sistema proprietário de três motores Hyper V8s e V6s. A aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se num “piscar de olhos” de 1,98 segundos.

Este desempenho não vive apenas no mundo virtual. A versão de produção, equipada com o Track Package, já provou o seu valor no “Inferno Verde”, estabelecendo um tempo de 7:04.957 no Nürburgring Nordschleife em abril de 2025, quebrando o recorde para veículos executivos elétricos. Agora, os jogadores portugueses têm a oportunidade de tentar replicar estes feitos no circuito de Monza, onde decorre um desafio oficial de contrarrelógio para celebrar o lançamento.

Sinais verdes no mercado financeiro

Enquanto o SU7 Ultra acelera nas pistas, as ações da Xiaomi mostram também sinais de vitalidade neste dia 11 de fevereiro de 2026. O título da empresa registou uma subida de 3,88%, fixando-se nos 3,9805€, o que representa um ganho de quase 0,15€ face ao fecho anterior. Este movimento confirma a tendência positiva dos últimos dias, somando-se a uma valorização semanal expressiva de 8,01%.

Apesar do otimismo diário, a análise a médio e longo prazo exige cautela. Os acionistas ainda recuperam de um trimestre difícil, onde os títulos desvalorizaram 16,50%, acumulando uma queda anual superior a 26%. A questão que impera no mercado é se este recente fôlego justifica novas entradas ou se será preferível aguardar por uma correção, dado o histórico de volatilidade.

O sentimento dos investidores e a concorrência

Nos fóruns da especialidade, como o wallstreetONLINE, o clima permanece cético. As discussões giram em torno das perdas sofridas com produtos derivados e margens, havendo quem questione se os objetivos de preço da empresa não serão demasiado ambiciosos face às margens de lucro dos smartphones e aos custos de desenvolvimento no setor dos veículos elétricos. O sentimento geral da comunidade mantém-se, por agora, negativo.

Numa análise comparativa com os seus pares tecnológicos, a Xiaomi destacou-se neste dia de negociação. Enquanto a Apple registou uma ligeira descida de 0,20% e a Alphabet se manteve praticamente inalterada, a Samsung Electronics acompanhou a tendência de subida com um ganho de 1,64%, embora a performance da marca chinesa tenha sido superior no curto prazo.

Resta saber se a inovação demonstrada com o SU7 Ultra e a sua expansão para a cultura pop global serão catalisadores suficientes para inverter a tendência anual negativa e estabilizar a confiança dos mercados no longo prazo.