Pesquisadores da Universidade de Reading descobriram que o segredo por trás dessa rápida evolução não é o tamanho das flores, mas a rapidez com que o formato das flores dos cactos muda ao longo do tempo.
Novas pesquisas desafiam ideias de longa data sobre a evolução das plantas
Durante anos, muitos cientistas acreditaram que os polinizadores e as flores altamente especializadas eram a principal razão pela qual novas espécies de plantas evoluíram, relata o Science Daily. Idéias relacionadas ao trabalho de Charles Darwin sobre orquídeas ajudaram a moldar esse pensamento.
No entanto, o novo estudo descobriu que os cactos não seguem o mesmo padrão.
Em vez de diversificar o tamanho das flores, os investigadores descobriram que a rápida evolução floral desempenhou um papel muito maior ao ajudar as espécies de cactos a divergirem para formas inteiramente novas.
Cientistas estudaram mais de 750 cactos
A equipe de pesquisa analisou dados de duração das flores de mais de 750 cactos. As diferenças no tamanho das flores eram enormes.
Algumas flores de cacto mediam apenas 2 mm, enquanto outras atingiam 37 cm de comprimento, criando uma diferença de tamanho de 185 vezes. Apesar desta grande variação, o comprimento das flores não teve correlação com a rapidez com que novas espécies apareceram.
Como relata o Science Daily, os pesquisadores descobriram consistentemente que os cactos que mudam rapidamente na forma das flores têm maior probabilidade de evoluir para novas espécies ao longo da história evolutiva recente e antiga.
Flores que mudam rapidamente podem explicar a diversificação dos cactos
Os pesquisadores originalmente esperavam que os cactos com flores maiores e mais especializadas produzissem mais espécies. Em vez disso, o estudo mostrou que havia muito pouca variação no tamanho das flores.
O que mais importa é a rapidez com que as flores evoluíram ao longo do tempo.
O autor principal, Jamie Thompson, da Universidade de Reading, aponta que muitas pessoas pensam nos cactos como plantas de crescimento lento e imutáveis, mas a pesquisa mostra que a família dos cactos é na verdade um dos grupos de plantas de crescimento mais rápido na Terra, relata o Science Daily.
As descobertas também sugerem que os desertos podem não ser tão estáticos quanto parecem. Os cientistas dizem que esses ambientes podem, na verdade, ser locais de rápida mudança e evolução natural.
As descobertas podem influenciar a futura conservação dos cactos
O estudo também tem implicações importantes para a conservação, dizem os pesquisadores.
Como a evolução floral ajudou a criar espécies de cactos ao longo de milhões de anos, os cientistas acreditam que a velocidade evolutiva pode ser uma parte importante dos futuros esforços de conservação.
Os investigadores observaram que a rápida evolução não garante automaticamente a sobrevivência, especialmente porque as alterações climáticas continuam a acelerar mais rapidamente do que muitos cactos conseguem adaptar-se.
Em vez de se concentrarem numa única característica para prever a vulnerabilidade, os conservacionistas precisam de estudar a rapidez com que diferentes cactos se desenvolvem.
O novo banco de dados de cactos visa apoiar pesquisas futuras
Este estudo também introduziu um novo banco de dados de acesso aberto, CactEcoDB.
O banco de dados, desenvolvido ao longo de sete anos por Jamie Thompson e dez coautores de três continentes, incluindo seis pesquisadores da Universidade de Reading, combina informações sobre características, habitats e relações evolutivas dos cactos, relata o Science Daily.
Espera-se que o recurso, publicado na Nature Scientific Data, ajude os pesquisadores a compreender melhor a biodiversidade dos cactos e os desafios futuros de conservação.
Os cactos são um dos grupos de plantas que se diversificam mais rapidamente
Os pesquisadores dizem que existem cerca de 1.850 cactos. Nos últimos 20 a 35 milhões de anos, os cactos se espalharam amplamente pelas Américas.
Mesmo as plantas conhecidas pelo seu crescimento lento podem ainda estar a desenvolver-se rapidamente nos bastidores, sugerem novas descobertas.
Perguntas frequentes
O que o novo estudo sobre cactos descobriu?
Os cientistas descobriram que os cactos evoluem e formam novas espécies incríveis.
Quem fez a pesquisa?
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Reading.