Sáb. Fev 14th, 2026

O fortalecimento da governança orientada por tecnologia foi o principal destaque do India Civic Summit 2026, evento promovido pela Oorvani Foundation. Durante o encontro, o Ministro de Tecnologia da Informação e Serviços Digitais, Palanivel Thiaga Rajan, defendeu a criação de uma plataforma integrada de dados para modernizar a administração municipal e garantir maior continuidade institucional.

A proposta busca enfrentar falhas estruturais que comprometem a eficiência das cidades indianas, especialmente diante do avanço acelerado da urbanização. Segundo o ministro, a construção de uma base de dados unificada permitiria preservar a memória administrativa, reduzir descontinuidade em políticas públicas e melhorar a prestação de serviços essenciais.

Tecnologia como Base para Cidades Mais Justas

Ao abordar o conceito de dignidade urbana, o ministro destacou que o acesso a necessidades básicas — como água potável, saneamento e higiene — não pode ser tratado como privilégio, mas como direito fundamental.

Uma vida com dignidade deve ser o ponto de partida para a equidade social.

Ele também criticou modelos de gestão baseados em anúncios políticos sem planejamento adequado, que frequentemente resultam em grandes projetos com falhas de execução. Para ele, melhores sociedades constroem economias mais fortes, e isso exige planejamento orientado por dados e decisões baseadas em evidências.

Principais pilares da proposta tecnológica

  • Integração de dados municipais para garantir continuidade administrativa
  • Inclusão automatizada de populações vulneráveis em programas públicos
  • Serviços descentralizados e digitais para reduzir burocracia
  • Expansão de centros de atendimento eletrônico
  • Uso de saúde digital e plataformas online para evitar deslocamentos desnecessários

Direito à Cidade e Governança Participativa

O urbanista Tikender Panwar, ex-vice-prefeito de Shimla, apresentou a palestra principal com o tema “Reivindicando o direito do cidadão à cidade”. Ele alertou que muitos centros urbanos estão se tornando cada vez mais excludentes, impulsionados por modelos de desenvolvimento que tratam serviços públicos como mercadorias.

Segundo Panwar, a verdadeira descentralização vai além de reformas administrativas e precisa empoderar diretamente a população.

Como exemplo, ele mencionou a nova política urbana de Kerala, que introduz:

  1. Gabinetes municipais participativos
  2. Conselhos de cidadãos, trabalhadores e empresários
  3. Planejamento em nível de bairro
  4. Representação juvenil nas decisões locais
  5. Assembleias digitais abertas à população

Essas iniciativas fortalecem a democracia local e ampliam a participação comunitária na gestão urbana.

Governança Urbana como Infraestrutura de Esperança

Lakshmi Narasimhan, CEO da Banyan Academy of Leadership in Mental Health, ressaltou que a governança urbana pode se tornar uma poderosa “infraestrutura de esperança” quando cidadãos — inclusive aqueles em situação de vulnerabilidade — sentem que suas aspirações são reconhecidas.

Ele destacou que cidades eficientes não devem tratar moradores como números ou estatísticas, mas como participantes ativos no desenvolvimento urbano.

Debate sobre tecnologia e processos na gestão municipal

O evento também reuniu especialistas e representantes da sociedade civil em um painel dedicado ao funcionamento interno dos governos municipais. A discussão abordou como tecnologia, dados e processos estruturados podem:

  • Melhorar a transparência administrativa
  • Aumentar a eficiência na prestação de serviços
  • Fortalecer a participação cidadã
  • Reduzir falhas de execução em projetos urbanos

Entre os participantes estavam representantes de organizações cívicas, pesquisadores, conselheiros municipais e especialistas em inovação pública.

O Papel dos Cidadãos na Transformação das Cidades

O India Civic Summit 2026 reuniu cidadãos ativos, organizações da sociedade civil, especialistas urbanos e tomadores de decisão para discutir soluções práticas para tornar as cidades mais sustentáveis, inclusivas e habitáveis.

Ao longo do dia, palestras, workshops e debates exploraram:

  • A importância dos dados na governança urbana
  • Ferramentas práticas para engajamento cívico
  • Planejamento urbano inclusivo
  • Estratégias para aproximar instituições e cidadãos
  • Ações comunitárias voltadas ao clima e sustentabilidade

Conclusão: Tecnologia e Participação Como Fundamentos da Nova Administração Urbana

A modernização da administração municipal depende da combinação entre tecnologia integrada e participação cidadã ativa. A criação de plataformas digitais robustas pode garantir continuidade administrativa, reduzir desigualdades e melhorar serviços públicos essenciais.

Ao mesmo tempo, políticas urbanas que promovam descentralização real e envolvimento comunitário são fundamentais para assegurar o direito à cidade e fortalecer a democracia local.

O debate realizado no summit reforça que cidades mais inteligentes não são apenas aquelas com mais tecnologia, mas aquelas que colocam seus cidadãos no centro das decisões.

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