A gigante petrolífera estatal colombiana Ecopetrol pode aumentar os gastos e aumentar a produção se os altos preços do petróleo persistirem em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, disse o presidente-executivo da empresa na quinta-feira.
O petróleo Brent saltou para o seu nível mais alto em mais de um ano, após os ataques EUA-Israel ao Irão e as interrupções nas exportações do Golfo Pérsico. O Brent subiu para mais de US$ 85 o barril esta semana, em comparação com cerca de US$ 70 antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.
O CEO da Ecopetrol, Ricardo Roa, disse aos analistas durante a teleconferência de resultados trimestrais da empresa que a empresa está monitorando de perto a evolução do mercado e poderia ajustar os gastos de capital para aproveitar as vantagens dos preços mais fortes.
“É claro que analisaremos a situação”, disse Roa. “Se virmos potencial para um investimento mais elevado, ajustaremos o nosso investimento para estar no limite superior da nossa orientação, com a capacidade de aumentar a produção no curto prazo.”
A Ecopetrol orçou entre US$ 5,4 bilhões e US$ 6,7 bilhões em despesas de capital este ano. Cerca de 57% desses gastos são destinados à exploração e produção, enquanto a controlada ISA é responsável por cerca de 25%. A atividade downstream representa 7%, as atividades intermediárias 6% e as iniciativas de transição energética cerca de 5%.
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A Ecopetrol previu anteriormente uma produção ligeiramente menor este ano. A empresa espera uma produção média de 730.000 a 740.000 barris de óleo equivalente por dia em 2026, em comparação com 751.000 barris por dia no primeiro semestre do ano passado. Em novembro de 2025, seus planos de produção para 2026 baseavam-se em apenas US$ 60 Brent.
Os executivos da empresa alertaram que o impacto final do conflito no Médio Oriente permanece incerto.
O CFO Camilo Barco disse que era demasiado cedo para determinar como a crise geopolítica poderia afectar as finanças da Ecopetrol, observando que os preços mais elevados do petróleo bruto poderiam ser parcialmente compensados pelo aumento dos custos de envio e transporte.
“Depende de quanto tempo o conflito durará e até que ponto afectará os exportadores desta região”, disse Barko.
Os preços mais fortes do petróleo podem impulsionar a procura de barris e produtos refinados colombianos, acrescentou Barco, mas as taxas de frete já aumentaram acentuadamente no meio da turbulência. Os custos de envio são actualmente cerca de 150% a 160% mais elevados, o que poderá corroer alguns dos lucros decorrentes do aumento dos preços do petróleo.
Por Julian Geiger para Oilprice.com
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