Sáb. Abr 11th, 2026

A maior organização britânica de proteção de aves lançou um apelo urgente às famílias de todo o país, instando os britânicos a pararem de colocar sementes e amendoins nos comedouros dos jardins durante os meses mais quentes.

A RSPB aconselha o público a deixar os comedouros vazios entre 1 de maio e 31 de outubro para ajudar a combater a tricomoníase, uma doença parasitária que devasta as populações de aves selvagens.


A doença ataca a boca e a garganta das aves, impossibilitando-as de comer, beber ou respirar adequadamente.

A infecção ocorre através da saliva, com o parasita vivendo mais em climas mais quentes – especialmente durante o período crítico em que as aves adultas alimentam seus filhotes.

As consequências para as populações de aves de jardim foram graves.

Dados do Big Garden Birdwatch deste ano, a maior pesquisa de vida selvagem em jardins do mundo, mostram que o número de pintassilgos caiu do sétimo lugar, quando a contagem começou em 1979, para o décimo oitavo, em 2025.

A população de verdilhões caiu em cerca de dois milhões de aves devido à propagação de doenças em confinamentos pela instituição de caridade.

A RSPB expressou especial preocupação com três espécies que sofrem da doença.

RSPB pede aos britânicos que NÃO alimentem aves para diminuir a taxa de infecção de ‘doença mortal’ | PA

Além dos tentilhões verdes, tanto os tentilhões-do-mar como os tentilhões-touro apresentam declínios alarmantes ligados à contaminação dos alimentadores.

Uma única ave doente visitando uma estação de alimentação popular pode rapidamente transformá-la num foco de doenças, alertou a instituição de caridade.

Beccy Speight, executiva-chefe da instituição de caridade, disse: “Não estamos pedindo às pessoas que parem de se alimentar, apenas que se alimentem de uma forma que proteja a saúde das aves a longo prazo.

“Milhões de nós amamos e valorizamos a alimentação das aves, mas a ciência mostra que a propagação de doenças nos comedouros afetou aves como o verdilhão.

“Ao fazermos pequenas mudanças juntos, podemos garantir que a alimentação do jardim continue a ser uma força positiva para a natureza.”

A RSPB admite que a sua orientação pode revelar-se impopular entre os estimados 16 milhões de agregados familiares que fornecem regularmente alimentos para aves selvagens.

No entanto, as recomendações seguem o que a instituição de caridade descreveu como uma “revisão de evidências importantes” que analisa os hábitos alimentares e os padrões de transmissão de doenças.

Apesar das restrições sazonais, as famílias podem continuar a fornecer alimentos ricos em proteínas durante todo o ano, restando larvas de farinha, bolas de gordura e sebo para as aves de jardim.

A instituição de caridade também reforçou os seus requisitos de higiene, recomendando que a água dos bebedouros para pássaros seja trocada diariamente, enquanto os próprios banhos requerem limpeza semanal.

Para os comedouros, a RSPB recomenda que sejam totalmente desmontados e limpos com escova ou desinfetante para remover contaminações.

Reconhecendo as dificuldades que estas mudanças criarão para a indústria avícola, a instituição de caridade sublinhou que a manutenção das práticas actuais já não é viável.

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