O petróleo bruto (CL = F) acabou de tirar um movimento direto do manual do meme.
Os preços subiram quase 80% em seis dias, atingindo brevemente cerca de US$ 120 por barril, antes de cair para meados dos US$ 70, à medida que os comerciantes passaram do pânico ao alívio com as recentes manchetes sobre o Oriente Médio.
Para qualquer pessoa cujo instinto de mercado se formou na era dos memes de 2021, a mudança pode parecer familiar. Mas o petróleo é um animal muito diferente – e tratá-lo como a próxima busca dinâmica pode ser um erro caro.
Isto ocorre porque o petróleo (BZ=F) é um mercado de commodities cíclico, e não uma ação negociada de forma vibracional.
Mesmo com o aumento da especulação, o petróleo bruto responde, em última análise, a forças reais – oferta, procura, inventário, rotas marítimas, geopolítica e capacidade de refinação. Quando os preços sobem, os produtores podem extrair mais petróleo, os consumidores podem reduzir a procura e os stocks podem aumentar.
Em outras palavras, o mercado tem formas de se corrigir.
Isto é muito diferente de uma ação meme, onde o hype e os fluxos podem alimentar-se a si próprios ao longo do tempo e os preços podem ficar desligados dos fundamentos.
A história mostra claramente essas diferenças.
Um gráfico de longo prazo do petróleo bruto revela ganhos dramáticos, mas o padrão mais amplo é cíclico. Os preços dispararam em 2008, antes de entrarem em colapso durante a crise financeira. Eles aumentaram novamente em 2022, depois que a Rússia invadiu a Ucrânia.
O último movimento impulsionado pela guerra, embora acentuado, é ainda muito menor do que os surtos anteriores. A recuperação pode ser retomada para testar o máximo de US$ 150 de 2008 e além. Mas durante longos períodos, o petróleo tende a mover-se lateralmente e a circular em vez de subir indefinidamente.
Leia mais: Como os choques no preço do petróleo repercutem em sua carteira, do combustível aos mantimentos
O lendário macro trader Paul Tudor Jones construiu uma carreira explorando exatamente esse tipo de movimento. Jones tornou-se famoso por aproveitar o impulso e as grandes macrotendências nos mercados futuros, incluindo commodities. Mas traders como ele não tratam o petróleo como um investimento a longo prazo – eles acompanham as tendências quando estas aparecem e seguem em frente quando estas desaparecem.
Esta mentalidade reflecte outra realidade dos mercados petrolíferos: os ganhos geopolíticos muitas vezes desaparecem mais rapidamente do que as pessoas esperam.
Quando o conflito ameaça a oferta, os comerciantes tendem a responder imediatamente. Os preços saltam primeiro quando os mercados avaliam a possibilidade de perturbações. Depois, à medida que a situação se esclarece, os traders começam a reavaliar até que ponto a oferta de petróleo está realmente em risco. Às vezes, o dano é menor que o medo – e os preços retornam com a mesma rapidez.
Para os investidores que procuram exposição ao petróleo, existe outra questão importante.
Muitos comerciantes retalhistas compram ETFs, como o United States Oil Fund (USO), que se destina a monitorizar os preços do petróleo. Mas os investidores USO não estão a comprar barris físicos de petróleo – estão a comprar um ETF que detém futuros de petróleo.